Queda bruta e paradisíaca: os excessos de Luísa Sonza em Brutal Paraíso

Depois de 2023, um ano extravagante na carreira de Luísa Sonza, ficou no ar a pergunta: qual artista seria capaz de superar o recorde de 15,6 milhões de streams nas primeiras 24 horas de um álbum brasileiro?


Seria ela mesma? Ao que tudo indica, Luísa decidiu correr atrás dessa resposta por conta própria, tentando quebrar o próprio recorde antes que outro nome surgisse com força suficiente para ultrapassá-la.



(Capa do Álbum “Brutal Paraíso”. 
Divulgação: Ivan Erick Menezes)


Mas o cenário não caminhou a seu favor. Entre a exposição da traição envolvendo Chico Moedas e o caso de racismo que ganhou repercussão nacional — do qual posteriormente foi absolvida —, a artista passou a lidar com uma imagem pública fragilizada. A partir daí, entrevistas e aparições se tornaram um campo minado: qualquer narrativa poderia facilmente ser desviada para temas delicados.


Com o tempo, vieram sinais de desgaste: queda nos streams, desinteresse do público e até cancelamentos de shows da turnê de Escândalo Íntimo por baixa demanda. Esse movimento indica não apenas um momento de crise, mas também uma possível saturação da imagem da artista.


Ainda assim, Luísa insistiu em estratégias já conhecidas. A aposta em singles curtos e provocativos — como “Telefone”, parecido com o lançamento de “Campo de Morango” — reforça uma tentativa de replicar fórmulas que anteriormente funcionaram, mas que já não despertam o mesmo impacto.


Antes disso, houve Bossa Sempre Nova, projeto ao lado de Roberto Menescal e Toquinho. Com releituras de clássicos como “Águas de Março”, o álbum parecia buscar legitimidade artística e inserção em um cânone mais tradicional — um movimento interessante, mas pouco relevante para um público que hoje valoriza mais novidade do que reverência.


É então que chegamos a Brutal Paraíso, um projeto ambicioso que se apresenta quase como um “irmão” de Escândalo Íntimo. Com 23 faixas e mais de uma hora de duração, havia a expectativa de repetir — ou até superar — o sucesso anterior. No entanto, o resultado foi distante disso: o álbum não alcançou sequer 2,5 milhões de streams nas primeiras horas.


Mesmo com elementos chamativos — como parceria com Xamã, interpolações de “Você Não Me Ensinou a Te Esquecer” e samples de “Loura Gelada”, do RPM —, o projeto parece se perder na própria ambição. Ao transitar entre bossa nova, pop e rock, e abordar temas como relacionamentos passados, culpa religiosa e traição, o álbum tenta abarcar tudo.


Mas talvez esse seja justamente o problema.


Por fim, há uma sensação constante de tentativa. Como se, ao explorar múltiplos caminhos, bastasse acertar um. Só que, no fim, essa dispersão dilui o impacto. Brutal Paraíso não falha por falta de esforço, mas por excesso dele.


Artista: Luísa Sonza

Álbum: Brutal Paraíso

Nota 4/10


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