Imagem que mostra Cartola sentado após repressão da polícia volta a viralizar

 

Cartola sentado no chão, diante de um carro da
polícia, após ser agredido - Foto: Eurico
Dantas/Agência O GLOBO

A imagem que mostra o cantor Cartola sentado no asfalto, com viaturas da Polícia Militar ao fundo, captura um dos momentos mais marcantes da repressão ao samba na Mangueira. Ela mostra a violência que foi dirigida contra a cultura popular no Rio de Janeiro. Na imagem, o compositor aparece exausto, após ter sido agredido e impedido de continuar participando do samba, enquanto o aparato policial reforça a atmosfera de tensão. Essa cena se tornou um símbolo da longa história de conflito entre o Estado e as comunidades da periferia.

A imagem mostra o cantor sentado no chão, ao lado de viaturas, logo após uma ação policial que interrompeu atividades ligadas à escola de samba Estação Primeira de Mangueira. O expressão abatido do sambista reforça a proporção de humilhação pública, enquanto a presença notória da polícia evidencia a desproporção de forças naquele contexto.

Durante uma parte do século XX, rodas de samba, terreiros e ensaios de escolas foram alvo de batidas policiais, enquadramentos e criminalização, sob o pretexto de manter a “ordem pública”. Na Mangueira, operações com invasão de ensaios e intimidação de moradores eram recorrentes, consolidando um histórico de conflito entre a comunidade e agentes de segurança.

Relatos apontam que Cartola foi agredido durante uma dessas ações na região da Mangueira e impedido de sambar, mesmo sendo uma referência respeitada na escola e no bairro. Na sequência, o compositor teria se sentado no asfalto, em um gesto interpretado como cansaço, dor e resistência silenciosa diante da barbaridade policial.

A fotografia passou a ser usada como síntese visual da repressão ao samba e da política de controle sobre corpos negros e periféricos nas grandes cidades brasileiras. O contraste entre a debilidade física do artista e o poder armado do Estado reforça a leitura da cena como denúncia da desigualdade histórica que marca a relação entre polícia e cultura popular.

Nos últimos anos, o registro vem sendo resgatado através de pesquisas, reportagens e projetos de restauração de imagens, aumentando sua circulação em meios digitais. Em meio ao debate contemporâneo sobre violência policial e racismo estrutural, a figura de Cartola sentado diante das viaturas assume nova relevância e se interliga a pautas ainda presentes nas periferias brasileiras.

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