Cinco Hits Brasileiros Modernos que Usam Samples de Músicas Antigas
É fato que a cultura do sample e das interpolações nunca esteve tão em alta no Brasil quanto agora. Cada vez mais artistas estão olhando para hits de décadas passadas para criar músicas novas que misturam nostalgia, viral no TikTok e energia para as pistas de dança. É uma forma genial de dialogar com o passado enquanto conquista a geração atual.
Hoje vamos destacar cinco exemplos incríveis de faixas recentes que reciclam trechos clássicos em grande estilo. Começando por um hit que explodiu mundialmente e passando por outros que mostram como o sample virou ferramenta essencial no pop, funk e phonk brasileiro.
1. “Sou Musa do Verão” – Luísa Sonza & Marshmello (2023)
Vamos começar com o exemplo mais fresco e direto: a parceria explosiva entre Luísa Sonza e o DJ americano Marshmello. Lançada em novembro de 2023 como parte do álbum Sugar Papi, essa faixa transforma o verão teen dos anos 2000 em um hino eletrônico e sensual.
O grande truque? Ela sampleia diretamente o refrão de “Musa do Verão”, sucesso eterno de Felipe Dylon de 2003. Aquele “Sou musa do verão, calor no coração” ganha batidas pesadas de funk, drops eletrônicos e uma vibe mais adulta e provocante. No lugar do surfista inocente, Luísa traz letras explícitas e uma produção pensada para challenges no TikTok e festas intermináveis.
O resultado foi imediato: top do Spotify Brasil, milhões de views e dancinhas virais. Prova de que um refrão nostálgico + produção moderna = hit garantido.
Compare as duas versões:
2. “AmarElo” – Emicida feat. Pabllo Vittar e Majur (2019)
Um hino motivacional do rap brasileiro! Emicida sampleia o refrão de “Sujeito de Sorte”, do Belchior (1976), transformando o clássico da MPB em uma mensagem poderosa de resiliência com batidas contemporâneas e feats empoderadores.
Compare as duas versões:
3. “Desabafo” – Marcelo D2 (2008, mas ainda super influente e viral)
Clássico do rap nacional que usa trecho de “Deixa Eu Dizer”, da Cláudya (1971, era Jovem Guarda/MPB). O sample dá base para um flow samba-rock misturado com atitude urbana – ajudou a conectar gerações no hip-hop brasileiro.
Compare as duas versões:
4. “QUER DANÇAR” – Priscilla Feat Bonde do Tigrão (2024)
Priscilla (ex-Priscilla Alcântara) em ‘QUER DANÇAR', colaboração com o lendário Bonde do Tigrão, traz o sample icônico de 'Cerol na Mão' –e aquele refrão eterno 'Quer dançar? O Tigrão vai te ensinar / Desce, sobe devagar / No final é só jogar' – repaginado com batidas eletrônicas modernas, vocais poderosos de Priscilla e a energia clássica do Leandrinho.
Compare as duas versões:
5. “Chico” – Luísa Sonza (2023)
Lançada em agosto de 2023 no álbum Escândalo Íntimo, "Chico" foi escrita por Luísa como uma declaração de amor ao então namorado, o influenciador Chico Moedas (Francisco Veiga). A música tem uma vibe bossa nova delicada, com violão suave e letras românticas – e virou um dos maiores hits do ano, chegando ao topo do Spotify Brasil.
O ponto principal da conexão com o passado é o refrão: Em "Chico": "Chico, se tu me quiseres / Sou dessas mulheres de se apaixonar. Isso é uma interpolação clara (ou seja, uma reescrita inspirada, não um sample de áudio direto) do verso icônico de "Folhetim" (1978), composta por Chico Buarque para a peça Ópera do Malandro e gravada por Gal Costa no álbum Água Viva: "Se acaso me quiseres sou dessas mulheres que só dizem sim".
Compare as duas versões:
Entenda por que o TikTok ama esses samples:
O TikTok é o motor dessa onda toda. Vídeos curtos pedem ganchos imediatos e familiares – nada melhor que um refrão que todo mundo já conhece de algum lugar. Quando surge uma faixa com sample, explode os “antes e depois”, mashups e desafios de dança. Memória afetiva + curiosidade = viralização na velocidade da luz.
Essa tendência mostra que o sample não é preguiça, mas evolução: recicla o melhor do passado para falar com o presente. Artistas conectam gerações, selos revitalizam catálogos antigos e nós, ouvintes, redescobrimos pérolas enquanto dançamos algo novo.

Amei!
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